Jornalismo

Que Bahia é essa?* O carnaval que a mídia não mostra

O Carnaval da Bahia acabou, de fato, ontem, com o “arrastão” na Barra realizado por alguns famosos, como Carlinhos Brown e Ivete Sangalo, que trouxe Gerônimo, Margareth Menezes, Claudia Leitte e Fafá de Belém. Durante o período carnavalesco, houve muito axé e pagodão/swingueira com Chiclete com Banana, Asa de Águia, Daniela Mercury, Harmonia do Samba, Parangolé, Saiddy Bamba, Edcity, Psirico e vários outros conhecidos midiaticamente.

Concurso de Mascarados e Fantasias de Maragojipe, em 20/02/2012 - Foto de Francisco Moreira

Concurso de Mascarados e Fantasias de Maragojipe, em 20/02/2012 – Foto de Francisco Moreira

Desse lado do Carnaval da Bahia todo mundo sabe. Contudo, daqui, e trabalhando na folia, conheci um carnaval alternativo que não passa na televisão. Existe algo de bem bacana que poucos sabem, que não é veiculado pela grande mídia – seja nacional ou local. Não é apenas de axé e swingueira que vive o carnaval daqui. Não falo apenas de shows e espaços alternativos pagos, refiro-me ao carnaval patrocinado pelo dinheiro público. Além do festejo mais tradicional que acontece em Maragojipe – com marchinhas e máscaras -, em Salvador podemos ouvir samba, rock, rap, MPB, música instrumental e os dois estilos já citados. Havia também outros ritmos e subdivisões, que não cito por falta de conhecimento.

Quem estava na cidade e viu a programação dos projetos do governo, pôde assistir aos shows de Edgard Scandurra e das bandas baianas Camisa de Vênus, Cascadura, Retrofoguetes, Vivendo do Ócio, para ficar em alguns representantes do rock – forte na Bahia até no carnaval, embora poucos imaginem isso. Merecem ainda ser citados os blocos afro – como Ilê Aiyê, Olodum, Filhos de Gandhy, Cortejo Afro etc. -, que arrepiam e impressionam, especialmente quando se concentram mais em enaltecer a história e as características de sua etnia e cultura do que em sobrepujá-las comparando com outras.

Infelizmente, esse Carnaval da Diversidade – conforme denominado – não passa na mídia, que prefere só mostrar as estrelas do axé e pagodão – ou a violência na festa. Não escrevo isso tudo pelo trabalho prestado, mas porque me impressionei e fiquei feliz em ver quantas alternativas gratuitas existem para curtir o carnaval na cidade do axé.

Ilê Aiyê no Circuito Osmar (Campo Grande), em 20/02/2012 - Foto de Sandro Galvani

Ilê Aiyê no Circuito Osmar (Campo Grande), em 20/02/2012 – Foto de Sandro Galvani

* O título faz alusão à música abaixo, do Ilê Aiyê com Criolo.

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