Mesa touch

Ler em papel: preferência ou hábito?

No último domingo (23/10), o instituto de pesquisas Datafolha divulgou que 73 milhões de brasileiros preferem consumir notícia do jornal em sua versão imprensa, enquanto 50 milhões optam pelo formato eletrônico. A mídia favorita, no entanto, ainda é a TV, escolhida por 90% dos entrevistados. Estima-se que 21 milhões de pessoas leem jornal impresso diariamente. Depois de crescer de maneira ininterrupta, de 2003 a 2010, 2011 foi um ano de estagnação para o acesso a internet. Essa notícia foi publicada no site da revista Exame.

Na verdade, penso qual terá sido a pergunta feita aos entrevistados. Um aspecto, parece-me, é onde você costuma acessar as informações, outro é qual sua preferência. Deixe-me explicar. Sou ávido consumidor de notícias online, de fato, praticamente só me atualizo pela internet, pouquíssimo pela TV, pela revista é quase nulo e pelo jornal chega a nulidade total. Se me perguntarem sobre o meio que habitualmente utilizo para me informar, obviamente direi internet.

Por outro lado, se questionam qual minha preferência, eu diria a revista. Primeiro porque é mais confortável do que ler em notebook (no meu caso), pois posso fazer isso deitado, movimentar-me à vontade e a portabilidade é muito maior (não ficamos com medo de fazer isso em qualquer espaço, afinal, quem usa Ipad ou outro tablet para ler dentro de ônibus, por exemplo?). Além do mais, o papel da revista me agrada muito mais do que qualquer tipo de tela e do que as folhas de um jornal. Contudo, tenho impedimentos devido a questões econômicas e de rotina – ler no notebook é mais prático porque faço isso concomitantemente com outros afazeres. Obviamente que as características do webjornalismo também me agradam muito, sobretudo a hipertextualidade, a atualização contínua e a memória.

Todavia, não me surpreende que a leitura dos jornais impressos se mantenha com bons números. Nos últimos anos, estamos acompanhando no Brasil um forte estabelecimento dos “jornais populares”, “sensacionalistas”, ou como queria denominar. Eles são dedicados às camadas mais pobres da sociedade e custam mais barato do que os jornais considerados de elite, desde 25 centavos com o da Paraíba , 50 centavos com o Massa! da Bahia, até 70 centavos com o Meia Hora, do Rio de Janeiro. A capa desses veículos é caracterizada por trazer uma ampla variedade de cores, muitas imagens, mulheres semi-nuas e manchetes ambíguas. Com eles, quem antes não lia e comprava jornal, agora o faz em seu cotidiano.

2 thoughts on “Ler em papel: preferência ou hábito?

  1. acho importante considerar que, mesmo que a qualidade desses jornais seja questionável, só o fato de as pessoas estarem lendo é animador. o ideal seria um conteúdo melhor nesses mesmos formato e preço.

    • Essa foi a justificativa de Walter Galvão, “jornalista responsável” (nomenclatura usada na época) do jornal Já, em uma palestra lá na UFPB. Na verdade, boa parte poderia continuar sendo feito para atrair os leitores, mas os conteúdos podiam ser melhor e trazer menos juízos de valor.

      Ler por ler, vejamos outras soluções que não jornalismo de qualidade, no mínimo, duvidosa e questionável. E também tenho receio quanto ao pedestal que colocam a leitura (sobretudo no impresso). Óbvio que é importante, mas é um caso a se discutir.

Comente!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s