Quando almejar publicação se torna estranho na academia

Nos últimos dias, saiu a lista dos trabalhos recebidos pela Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação. Quem tiver seu paper aprovado, apresentá-lo-á no XXI Encontro Anual da Compós, em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O que há de estranho nisso? Eu e alguns colegas pensávamos que nada, até quando perceberam que inscrevi um paper sozinho. Quase todos me parabenizaram pela ousadia (?), em outras palavras, me congratularam por eu ter enviado um artigo para um congresso – estranho, pois pensei que isso fosse comum na vida de qualquer pesquisador (ou aspirante). Aparentemente, não devia haver estranheza, afinal, estamos em um curso de pós-graduação e cada vez mais devemos nos especializar e aprimorar academicamente – o que compreende também, e sobretudo, ser analisado e criticado.

O problema parece residir no fato de esse ser o principal congresso na área de Comunicação. Existe o mito fato de que alguém que não seja ao menos mestre não consegue publicar na Compós (salvo os casos de parceria). Alguns falaram comigo numa seriedade e estranheza tremenda; pensei até que eu havia cometido algum erro ou delito. Se vai ser aprovado ou não, vai depender da avaliação, conforme ocorre nos demais congressos e processos seletivos. Se é ousadia ou burrice, não sei, mas senti vontade de enviar um artigo para análise, nada fora do comum, pois isso é – creio – corriqueiro no ambiente no qual estamos inserido. É importante não enviar uma produção qualquer, pois ela levará sempre nosso nome; contudo, não podemos ficar esperando, sem nunca arriscar e ser avaliado – isso faz parte do processo e nos ajuda muito.

Existe muita probabilidade de o trabalho não passar, seja porque o congresso não aceita papers de mestrandos sozinhos (como se diz) e/ou porque textos destes discentes não costumam estar nos padrões mínimos exigidos – até porque, geralmente, saímos da graduação há pouco tempo e não temos conhecimento igual ao daqueles que competem conosco, uns até com várias décadas dedicadas à pesquisa.

Mas o que, de fato, está em jogo? Acredito que apenas o recebimento de um parecer de pessoas do mais alto nível explicando (ou não) por que o paper não foi aprovado, ou seja, informações no que podemos melhorar no modo de pesquisar e redigir um texto acadêmico. Há ainda a possibilidade de algum parecerista ficar indignado com a pobreza do trabalho e colocar-nos numa lista negra de (aspirantes a) pesquisadores que nunca mais publicarão em congressos, revistas, livros etc.

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