Cinépolis 4D

Um cinema de vários D’s ou de hipermediação

Ontem, assisti ao filme Gravidade e, talvez, nunca tenha rido tanto no cinema. Não, não se trata de uma obra de comédia, tampouco é mal produzida. Todavia, fui ao shopping Bela Vista e vi o filme em 4D. Matuto como só eu, não sabia do que se tratava, pensava apenas que as cadeiras se mexiam e, com minha experiência frustrada com Avatar em 3D, não estava tão ansioso pelo experimento, mas resolvi ver o que esse outro D trazia de novo para o espectador. Antes do filme, um vídeo explicava que sentiríamos até cheiros ruins (no exemplo, um peido), pensei que era somente uma cena jocosa.

Gravidade (filme)

Começa a sessão, a cadeira se movimenta – mas com pouca sincronia com as ações dos personagens – e o 3D funciona bem – achei melhor do que quando vi Avatar em João Pessoa. Contudo, não esperava um vento saindo da cadeira, especialmente quando eu estava encostado um pouco para o lado. Aquilo veio direto na minha nuca, espantei-me e me afastei para frente, daí veio um vento direto no meu rosto (lembrando essa cena de Friends), juntamente com um fedor monumental (não, não era flatulência dos espectadores), pois a sala simulava o cheiro de queimado que irrompia na tela. Daí em diante, não parei de rir (mas não só eu, pois ouvi risos contidos pela sala), porém, tive uma crise durante quase toda a sessão – especialmente quando o vento voltava. Em outra ocasião, veio um vento lateral muito forte e frio (embora a cena na tela fosse quente), quase derrubando minha sacola.

Não suficiente, a poltrona dava umas “cutucadas”. Primeiro achei que era a pessoa na fileira de trás – não sei se havia alguém – com os pés na minha cadeira, mas não queria olhar e levar mais vento no rosto. Depois, percebi que era proposital. A sala resolvia me bater para que eu experimentasse um pouco a dor que a personagem sentia. Clarissa, ao meu lado, recebia as mesmas pancadas e a pessoa que estava na minha frente também, tanto que olhou para mim de modo pouco amistoso. Quase que o cinema iniciava uma briga, afinal, em Salvador, tudo é motivo para começar uma.

Cinépolis 4D

Ao final, gostei da experiência. Para uma primeira vez, achei bom esse tal cinema 4D, apesar de a cadeira fazer barulho quando acompanhava a movimentação – não tão sincronicamente – da personagem até em cenas silenciosas (algo caro ao filme) e o vento também não sair sutilmente. Uma nova forma de consumir filmes no cinema, uma nova experiência. Espero conseguir me concentrar mais da próxima vez. Grusin (e Bolter, como lembrou Falcão) diria: mais imediação e menos hipermediação, ou seja, mais imersão e menos mediação.

2 thoughts on “Um cinema de vários D’s ou de hipermediação

  1. A experiência do 4D é ainda melhor com filmes infantis onde tudo é extremamente exagerado. O filme Tá chovendo hamburguer 2 já possui a tecnologia e é muito legal para a primeira vez.

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