Discutir sobre mídia dá preguiça

O título desta postagem pode parecer estranho, especialmente porque sou um pesquisador do campo da Comunicação. Formei-me comunicólogo – como alguns gostam. Na verdade, a preguiça é de discutir com quem procura sempre o caminho mais fácil, o das generalizações. Recentemente, uma postagem do ano passado do Conversa fiada, blog do Paulo Henrique Amorim, voltou a circular pelas vielas do Facebook.Aqui, não me refiro especificamente ao conteúdo que encontramos na publicação intitulada: “Tem saudade do fantasma FHC? Lembra do que ele fez?”. Nem ao blogueiro/jornalista. Apesar de algumas ressalvas, acho o seu papel interessante para a mídia brasileira.

Mídia é um termo muito amplo, mas achei que ficaria melhor no título desta postagem do que “imprensa” ou “jornalismo”. “A mídia” – expressão que ouvimos bastante – já se tornou quase uma entidade, embora muitas vezes não especifiquemos nada ao utilizá-la. O problema, de fato, é reduzir ou tentar apagar toda a sua complexidade. Quando falamos de mídia, referimo-nos a o quê? TV Globo? Veja? Carta Capital? Estadão? Blog do PHA? Ou este singelo espaço no qual escrevo? Pasquim, Pif paf, Opinião? Cabe tudo sob a alcunha da mídia? Afinal, quem faz parte do Partido da Imprensa Golpista (PIG)?

Fonte: LATUFF

Espantou-me, na verdade, que quem descaracteriza toda a (grande) imprensa brasileira denominando-a PIG, repercutiu a postagem do PHA, na qual TODAS as fontes são, pasmem, da Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Revista Veja. Alguns dirão: são golpistas mesmo, pois na época quem estava no poder era o Fernando Henrique Cardoso, por isso, atacavam ele. Mas no mesmo período o “segundo lugar” era do PT. Então, eles ajudaram e preferiam o PT? Mas eles não odeiam os petistas? Fiquei confuso. Com isso, óbvio, não prego ingenuamente que alinhamentos e favorecimentos não existam. A frase de Carlos Dornelles (ex-Globo e atual Record) resume bem: “Deus é inocente, a imprensa não”. Mas alguns a colocam como maquiavélica – sem pudor maniqueísta. Ora, basta não reduzir tudo a um discurso vazio, sem buscar entender as divergências existentes – até que surjam as estabilizações temporárias que observamos.

E só fala de um jornal de maneira homogênea quem nunca entrou em uma redação para perceber suas contradições diárias, quem nunca conheceu jornalistas que o compõe. Quando esses argumentos rasos e generalizações partem de quem não é da área, a preguiça não é tão grande, mas quando vejo esses discursos saindo da boca de graduados e mestres em Comunicação, prefiro não me movimentar.

Comente!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s