Mapa aponta resquícios da Ditadura Militar em João Pessoa

A capital da Paraíba, João Pessoa, enverga o nome de um político que, possivelmente, só não participou do Golpe de 1964 porque nasceu décadas antes e foi assassinado aos 52 anos; a cidade que traz o seu nome, na verdade, tem um histórico em homenagear os agentes do governo do período recente mais sombrio da nossa história. Para completar, a sua principal avenida, a Epitácio Pessoa, recebe o nome do ex-presidente do Brasil e tio de João Pessoa.

Em um passeio pela cidade, encontramos de modo muito presente as memórias da Ditadura Militar, com os lugares de maior destaque destinados aos agentes do governo. O período do regime militar no Brasil, de 1964 até 1985, teve cinco presidentes, todos homenageados na capital paraibana, não somente em ruas e parques, mas em bairros e escolas. Quem chega ao bairro Ernesto Geisel (quarto presidente), está cercado pelo bairro e pela escola Costa e Silva (segundo presidente) e pelo bairro Valentina Figueiredo (mãe do último presidente militar). Não muito distante desses três, encontra-se a Universidade Federal da Paraíba, principal Instituto de Ensino Superior do estado, no bairro Castelo Branco (primeiro presidente da ditadura), com uma avenida homônima e que abriga ainda – em frente à universidade – a Escola Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici (o mais repressivo da ditadura).

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Escola Estadual Presidente Médici. Fonte: Google Street View
Escola Estadual Presidente Médici. Fonte: Google Maps/Street View

Esses são apenas alguns exemplos de João Pessoa, que se juntam a outros, como a avenida Ranieri Mazzilli, presidente temporário por duas vezes; na primeira ocasião, poucos anos antes do Golpe Militar em 1964 e no segundo momento logo após o Golpe, antes de o primeiro presidente oficial (Castelo) assumir. Todavia, João Pessoa não é uma cidade “privilegiada” ou muito diferente das outras do país, com ruas, praças, bairros, escolas e outros monumentos em homenagem aos envolvidos na Ditadura Militar e, normalmente, com espaço de maior destaque aos agentes do estado e não aos dissidentes.

mapa abaixo, em que estão marcados em João Pessoa alguns espaços com resquícios da Ditadura Militar e de períodos afins, tem uma pretensão colaborativa. A intenção é que demonstremos os lugares pelos quais passamos diariamente e que homenageiam alguma personalidade (política) controversa da nossa história. Sinta-se à vontade para fazer suas marcações! Caso não saiba como colaborar, aprenda no tutorial.

A relação entre memória e espaço urbano, com atenção às resistências e aos resquícios da Ditadura Militar, através dessas novas formas cartográficas, será abordada de maneira mais complexa em um artigo que estou finalizando com Ana Migowski, uma parceria acadêmica que protelou por quase quatro anos. Mas finalmente deve sair uma produção conjunta interessante de nosso diálogo. Não imaginando que alguém leia este espaço para buscar ideias, mas prefiro revelar mais sobre o artigo quando tudo estiver encaminhado para sua publicação.

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