Música chiclete não sai da cabeça nem com amnésia

Não, não é piada, é uma praga. E seria cômico se não fosse trágico. Você pode não se lembrar de quem é, de seu companheiro ou companheira, dos seus filhos, pais ou demais parentes. Mas a partir de agora você terá certeza de que nunca se esquecerá daquela música chiclete que o acompanhou durante toda a vida. O professor Alan Baddeley, da Universidade de York, explica que a “amnésia não destrói hábitos, mas faz perder a capacidade de adquirir e reter informações sobre novos eventos”, esclarecendo que o processo de memória em nosso cérebro não é unitário, envolve várias partes.

O caso mais famoso é do maestro britânico Clive Wearing, com amnésia desde 1985. O músico não lembra que possui um piano no quarto há quase 30 anos até que alguém mostre a ele. “Ele aprendeu ‘O Messias’ de Handel quando era criança e ainda sabe cantá-la”, diz sua esposa Deborah.

Fontes: Correio do Estado Jornal de Notícias

Provavelmente, nunca esqueceremos algumas músicas. Isso nem sempre é positivo, como nos exemplos estudados pelos cientistas, especialmente porque muitas canções não nos agradam e continuam a martelar em nossa cabeça ao mínimo estímulo: seja por uma frase ou ritmo. Eu poderia citar algumas músicas de pagode ou de sertanejo, mas como foi mais marcante na minha infância/adolescência e nos últimos anos tenho morado na capital baiana, fiz uma pequena história a partir de trechos das canções de axé que, provavelmente, eu não me livraria nem com amnésia.

Tudo começa com ela, que era “a cor dessa cidade (…) o canto dessa cidade“, falando de um “(u-ô-ô) verdadeiro amor”, embora clame depois: “não, não me abandone, não me desespere porque eu não posso ficar sem você“. Já ele disse: “amor, eu fico, nesse balanço, você baila comigo” e se declara: “tudo o que eu quero nessa vida, toda vida, é amar você“, pois “não dá pra esconder, o que sinto por você (…) ê-ô ê-ô êa-êa-ô êa-êa-ô“, por isso, “vem, meu amor, vem com calor no meu corpo se enroscar“. Ele queria, na verdade, “mil e uma noites de amor com você, na praia, num barco, no farol apagado“, já que você “vira e mexe a noite inteira (ô, ô, ô)“. “É o bicho, é o bicho, vou te devorar crocodilo eu sou“, confessa.

Mas tudo fica melhor quando você pega “a latinha e bate uma na outra“, “requebra, requebra, requebra assim“, “vai ralando na boquinha da garrafa“, “bota a mão no joelho e dá uma baixadinha, vai mexendo gostoso, balançando a bundinha“, “mexe a bundinha, bem devagarinho, vai descendo, vai subdindo“, ao declamar: “aê, aê, aê, aê, ei, ei, ei, ei, oô, oô, oô, oô, oô, oô, ô” ou “iôiôiôiôiô, lálálálálá e lá vou eu“. Com seu “carrinho de mão, padá, padá, padá bá” ou seu carro envenado, “vai sacudir, vai abalar, quando meu amor passar“. E se você pensa que “domingo ela não vai, vai, vai“; “então venha, pois eu sei que amar a pé, amor, é lenha“. O único problema é que o pinto do seu “pai fugiu com a galinha da vizinha“, já que “logo embaixo da cintura é a bunda“. Ele falou: “psiu, psiu, coisinha linda do bumbum empinadinho“. Quem resistiria? “Então, diga que valeu, o nosso amor valeu demais“. Um conselho para finalizar, “cara caramba, cara caraô: vem viver o verão, vem curtir Salvador” porque esse é “o novo som de Salvador, o novo som de Salvador, paquerei, paquerou“.

Três menções honrosas:

Refrão mais constrangedor: “Amor, me leva, faz de mim o que quiser. Me usa, me abusa pois o meu maior prazer é ser tua mulher”

Refrão mais chiclete de banda mais ‘desconhecida’: “Chorando se foi quem um dia só me fez chorar”

Refrão mais marcante e com menos informação (axé é hors concours): “Dom dom dim dim dim daum daum daum, loirinha”

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