Brincando de democracia nos campos de Rondônia e do Brasil*

Valdir Raupp, senador do PMDB por Rondônia e um dos líderes do partido, não acredita que o impeachment passe na Câmara e sugere: “com eleições gerais, as ruas seriam pacificadas”. Mas sem renúncia e impeachment, como se convocam novas eleições? Teríamos dois presidentes em exercício? Ou se expulsaria Dilma do cargo? Tá difícil, tá complicado. Ao menos de entender. Se, just in case, for golpe, vale a pena ver “A revolução não será televisionada“. O povo já está na rua.

A proposta do opositor ao governo deixou seus próprios aliados surpresos, afinal, em caso de renúncia – descartada pela presidenta – ou golpe – pois é disso que se trata –, Michel Temer assumiria. O vice decorativo é do mesmo partido do senador rondoniense. A propósito, esta é, provavelmente, a única oportunidade – é apenas verificar os prognósticos em que o PMDB não passa de 2% das intenções de voto – de um peemedebista assumir a presidência: sem eleição direta. Em caso de posse de Temer, esta seria a terceira vez em que o partido tem um presidente da república sem nunca ter vencido uma eleição direta para o cargo. Já pode pedir música no fantástico.

Mas hoje é o dia. O dia da votação pelo impedimento da presidenta democraticamente eleita, escolhida por mais de 50% dos votantes – acompanhe ao vivo na TV Câmara.

Em Rondônia não está favorável

De acordo com o Mapa da Democracia, o estado banhado pelo Rio Madeira é o único onde todos os seus (oito) deputados são favoráveis ao impeachment. Ainda que alguns brasileiros confundam Roraima com Rondônia, eles me parecem – ao menos neste momento político – totalmente opostos, especialmente porque a tendência é que os oito deputados roraimenses votem a favor da democracia, contra o golpe. Para não dizer que não falei da flor, entre os deputados de Rondônia – todos favoráveis ao golpe –, está a esposa do Valdir Raupp, a Marinha Raupp.

Mapa da democracia no estado de Rondônia

Vale ficar atento à ordem de votação hoje e acompanhar, no mínimo, os deputados do seu estado. Os trabalhos começam com os políticos de Roraima, entre eles, um do DEM e outro do PSDB – habituais oposições ao governo. Então, será mesmo que os oito deste estado votarão contra o golpe? Independentemente do resultado da votação de hoje, a história vai cobrar, ainda que demore – como bem enfatizou o deputado Silvio Costa, do PTdoB de Pernambuco. Apenas 50 anos depois do Golpe de 1964, Juremir Machado revelou que alguns defensores e baluartes da democracia contribuíram para um discurso pró-golpe, entre eles: os jornalistas Alberto Dines e Carlos Heitor Cony e os escritores Carlos Drummond e Rubem Braga.

Para o Raupp, Youssef manda lembranças.

* O título faz referência ao filme do diretor Héctor Babenco: “Brincando nos campos do Senhor”.

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